Um bom presente para você

Reis MagosA vida é um presente que só se desembrulha no presente. Linda ou feia, suave ou árdua, doce ou não, é um presente; não é mérito e nem recompensa. Presente de deus, dos pais, dela mesma, do todo, do nada? Dá igual. Falo apenas desse mimo delicado e não das nossas fantasias sobre como e porque o recebemos. Falo da vida como filigrana admirável que podemos apreciar e cuidar, ou detestar e desfazer, mas não eternizar, não adquirir de novo. Que todos os que vivem a tenham, não torna a de cada um menos dadivosa, menos rara, ao contrário, pois é só com ela que se faz o muito ou o pouco que cada um pode ser.

É só por sorte que ainda temos o presente de viver, mesmo com todos os cuidados. E sorte é sorte, acaba ou continua, dependendo da sorte. É preciso, então, desembrulhar o presente no presente, no agora, agora mesmo! O depois é quase um delírio. É certo que sem delirar um pouco não consigo nem escrever esse escrever que acabo de escrever, se escrevo ainda é porque mantenho a esperança delirante de que o presente da vida não me faltará no futuro imediato, mas pode faltar, podia ter faltado, quem sabe faltou. Alguém, quem sabe, saberá, talvez não eu. Mas ao escrever agora, estou desembrulhando meu presente e me sinto honrado e feliz, agradecido até. A deus, aos meus pais, à vida mesma, ao todo, ao nada? Dá igual outra vez. Continuo falando do milagre e não do santo.

Morte ao passado! Nenhuma esperança de futuro! Hedonismo puro! Nãa. Se gosto do meu presente é porque meu passado me ajudou, pelo sim ou pelo não. Se tenho alguma esperança do futuro é porque reconheço meus presentes. E, com sorte, acho que o futuro chegará e não abro mão de uma parte desse delírio, pois estou contente com meus presentes e, agora, os quero amanhã e depois de amanhã também. Tomara que eles me venham, só que quando/se chegarem, eles serão presentes de novo. E de novo terei o presente da vida para desembrulhar no presente.

A grande questão é que: só posso economizar para o futuro o que me sobra do presente e só aprendo a fazer sobrar no presente como meu próprio passado. Mas é só no presente que desembrulho o presente da vida.

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