O jogo das 9 verdades…

MentiraQuais são as verdades e as mentiras sobre a gente mesmo, que a gente gosta de contar para os outros? Quais são as que a gente não entrega nem sob tortura?

Nos últimos dias, surgiu nas redes sociais mais uma dessas tantas brincadeiras que as pessoas acabam gostando de participar. Tratava-se de listar algumas verdades sobre si mesmo, mescladas com uma ou outra mentira. Os amigos deveriam tentar separar umas das outras. Foi um fenômeno, no mínimo, curioso, que talvez diga algo sobre como a digitalização anda impactando nossas subjetividades.

Selecionei, dentre as que apareceram para mim, uma pequena amostra dessas listas e respectivos comentários. Tratei então de encontrar algumas regularidades. Nada de ciência, apenas curiosidade quanto à dinâmica do jogo e natureza das verdades e das mentiras compartilhadas. Não me ative a questões mais complexas das redes sociais como o exibicionismo e o voyeurismo, por exemplo.

Tratam-se, no geral, de verdades e mentiras sobre feitos e vivências de cada sujeito. Quase sempre, nos feitos, explora-se os próprios excessos e, nas vivências, o inusitado das situações. Tinha algumas boas piadas e pouca coisa de auto-piedade. Pessoas que em uma noite de bebedeira… ou que em uma crise de ciúme… ou que, simplesmente, uma vez…

Nos comentários, que é onde são feitas as apostas, os amigos do jogador disputam intimidade. – Conhecendo você, só pode ser a 4! – escreve fulano. – Lembro bem da 3 e da 7, então deve ser a 9 – arrisca beltrano. E assim segue o joguinho de contar excessos e mostrar o quanto a vida de todo mundo tem lances realmente incríveis.

Dos excessos, penso que é do ser humano, em algum momento, cometê-los. Se não fosse, não teria sido preciso inventarmos nem as leis e nem a ordem social. Nem os castigos e nem o pedido de desculpas.

Pode ser o excesso que precisa ser contido, debatido e punido, mas pode também ser o excesso sobre os limites da própria saúde, da própria segurança, da própria imagem. Transbordamos quando não estamos nos contendo e isso acontece às vezes. É bom que sejamos capazes disso também, é uma espécie de febre alta que acontece dar na gente. É um alerta. Pode ser fatal, mas pode não ser nada. E enquanto não se torna crônico, é mais fácil de tratar.

Há muita diferença entre um porre e a adição, entre uma crise de choro e a depressão, entre um momento de irritação e a sociofobia. Entre um dia ruim e o fim da relação, entre uma confusão momentânea e a loucura total.

O engajamento entusiasmado na brincadeira das 9 verdades… me fez pensar no quanto as pessoas estão precisando falar um pouco dos seus excessos. Seja para buscar parâmetros, para se apresentarem mais completamente, ou seja lá para o que for.

E, sobre o inusitado das situações que vivemos, é sempre bom saber que, também nisso, não estamos sozinhos.

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