Quanto dinheiro você precisa?

TrabalhoUma das coisas em que acredito é que o mundo está como está porque o dinheiro enlouqueceu a espécie. Seja pelo excesso, ou seja pela escassez.

É uma loucura completa ter não sei quantos milhões simplesmente guardados. Assim como é enlouquecedor não ter dinheiro para poder abrigar e alimentar os próprios filhos. Não digo isso de forma figurada, falo mesmo de patologias.

Isso que inventamos em algum momento da história para facilitar as trocas do trabalho humano acabou ganhando autonomia e tornou-se uma espécie de deus cruel que, com a ajuda de alguns poucos sacerdotes, escravizou os terráqueos.

Entre aqueles poucos alucinados que tem muito e aqueles bilhões de atormentados que não tem nenhum, vivemos muitos de nós. Mais para cá do que para lá. Mais acossados pela carência do que otimistas com o fausto. Tratando cada um de manter alguma sanidade diante da suprema divindade o dinheiro.

No início a lógica era assim: eu plantava tomates e você criava galinhas; os tomates que me sobravam eu trocava pelas galinhas que te sobravam e, assim, podíamos ambos desfrutar de tomates e galinhas, era só uma questão de combinar as justas proporções. Quantos tomates por uma galinha? Então veio o dinheiro e o início da loucura.

Ficou assim como a gente sabe: quantos e-mails eu preciso mandar para pagar minha prestação vencida e poder sonhar com uma viagem tranquila em algum feriado do ano que decidam emendar?

Hoje, quanto trabalho nosso vale a moradia, a comida, o estudo, a passagem, ou o glamour, que está sobrando para o outro e faltando pra gente? Tudo vai depender da taxa de câmbio, da prática de juros, da política econômica, dos rumos da globalização. E do seu banco de horas, é claro! Não é verdade então, que o dinheiro enlouqueceu a espécie!?

Vale retomar que para a grande maioria das pessoas do Planeta, a única maneira de conseguir dinheiro é trabalhando. Dedicamos aos nossos trabalhos, a maior porção da nossa resistência humana e as melhores horas de cada um dos nossos dias. Deixamos de amar melhor, de ouvir canções, de brincar com as crianças, de ficar em silêncio com a gente mesmo e de simplesmente aprender a vida… para trabalhar e trabalhar.

E se o trabalho vai sempre consumir uma parte importante das nossas vidas. Não seria o caso de a gente tratar melhor desse assunto com a gente mesmo? De assumirmos algum controle sobre a nossa relação com o nosso trabalhar e com o dinheiro que a gente ganha por ele?

Em cada fase da vida, nossas fantasias e nossas necessidades são de um jeito. Simplesmente porque a gente vai mudando mesmo. Assim como vai mudando com o tempo também a nossa resistência e tolerância ao trabalho. E vão mudando os valores dele e as exigências do mercado em cada época.

Só que, para ganhar algum dinheiro, a gente sai para trabalhar todo dia e hoje também. Estamos trabalhando agora e temos que entregar algo de relevância questionável, para o gestor da vez as soon as possible.

Daí a pergunta principal: quanto dinheiro você precisa para trocar pelas coisas que hoje você necessita e deseja? Quer viajar… fazer um curso? Casar, separar? Curtir agora ou ralar um pouco mais por outra coisa maior? Seja como for, quanto dinheiro isso custa? E quanto trabalho representa?

A tal loucura do dinheiro, aquela a que me referi no começo, é essa em que a espécie parece que sucumbiu psiquicamente à relação entre o capital e o próprio trabalho. O meio virou um fim em si mesmo, o nosso fim.

Por isso considero que uma Psicanálise contemporânea deve contemplar melhor essas questões. Analistas também pagam contas isso é claro. Mas espera-se, no mínimo que eles estejam menos enlouquecidos do que o paciente, com suas próprias fantasias de dinheiro.

 

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