Síndrome da Separação

Separação

Estou chamando de Síndrome da Separação o conjunto de sintomas que as pessoas sentem quando começam a se dar conta de que suas relações estão por um fio. Falo especificamente dos nossos namoros e dos nossos casamentos. E não me refiro a uma ou outra desavença pontual que gera esse tipo de insegurança. Trato daquela fase solitária e desesperadamente acompanhada de quem, lá no fundo, já sabe que não dá mais, só que não sabe o que fazer.

De alguma forma, o início de uma relação é sempre um sair de si. Esse arrebatamento fica mais claro quando o começo vem marcado pela paixão. Mas é assim também, mesmo que o envolvimento inicial seja mais sóbrio.

Eleger alguém e gostar de alguém são coisas que a gente consegue fazer sem se mexer, basta que o outro exista. Mas construir um vínculo com esse outro exige o mínimo de disposição de ambos para algum deslocamento de si. Nossa percepção individual do tempo se mistura com a percepção de tempo do outro. Nosso olhar para o mundo, nossas posturas e nossos sonhos de futuro abrem-se à influências eloquentes. Nossas vidas cotidianas tendem a se misturar.

Antes não gostávamos de comida japonesa, nem de banho morno e nem de chá de boldo. Não ouvíamos aquela banda, não íamos a batizados e não fazíamos festa de aniversário. Não verificávamos o óleo do carro e nem colocávamos contas no débito automático. Daí a gente pode passar a fazer tudo isso porque descobrimos que é legal, ou prático, ou necessário, ou simplesmente porque não custa muito esforço e é importante para o outro e para a nossa relação.

Não é que a gente deixou de ser o que a gente é, como vão dizer os amigos vãos. Isso não tem como acontecer. Mas quando, inspirados por um sentimento, apostamos em um namoro ou casamento, despejamos uma porção da gente mesmo na arquitetura desse vínculo que, por sua vez, torna-se uma parte da nossa própria construção.

Independente da compensação de felicidade que esse vínculo nos traz, sob a sua vigência vamos nos relacionando também com uma porção de outras coisas na vida. E vamos nos apresentando assim. Namoramos ou somos casados para a família e para os amigos, no trabalho, no patrimônio, na balada, para os filhos que temos ou queremos, para a gente mesmo e para o futuro que virá.

Só que muitas vezes acontece de percebermos que o sentimento inspirador do vínculo já não existe mais. E que aquele vínculo em si está roubando nossa vitalidade e matando nossa alegria.

Como e quando a gente se dá conta disso, só agente sabe. De repente, regurgita o chá de boldo que nunca desceu bem. Ou decide que não vai a um compromisso solene. Ou se encolhe todo quando o outro toca o nosso corpo na cama. Ou sente nojinho do jeito do outro mastigar. Ou se pega sorrindo ao pensar em outro outro.

Seja como for, uma tarde qualquer, voltando para casa, sentimos uma aflição aguda, desabamos a chorar e percebemos que estamos doentes. Pode ser o início da Síndrome da Separação:

Disfunções fisiológicas diversas: Dores difusas, vômitos… sensação de pânico e de desamparo. “Estou me sentindo um lixo”.

Pensamentos de negação: “É loucura minha. Eu tenho a vida que todo mundo queria ter. Isso vai passar”

Consciência de Impotência: “Preciso voltar a gozar nessa relação. Me esforço para resgatar, mas não rola. Fica pior”

Peso da culpa: “Como dizer para o outro e para todo mundo?”

Auto ataque: “Eu estou sendo egoísta e canalha, sou mesmo um lixo!”

Fantasias suicidas: “Se eu morrer, tudo se resolve”

Caos pessoal: “Quem sou eu? E o que vai ser da minha vida?”

Quando isso acontece com você, acredite: a análise pode te ajudar. Procure não tomar nenhuma decisão drástica antes de conversar com um analista. Terminar uma relação significa muito sofrimento. Tem a ver com cortar na própria carne. Com reconhecer quem você era antes e entender a dinâmica dos teus aportes na relação. Com se apropriar dos ganhos obtidos e encarar firme as perdas que virão.

Tomar consciência do fim de uma relação, muitas vezes é o início de um luto antecipado, onde só se sabe que é uma parte importante de nós mesmos que está morrendo. Nessa hora, não hesite em pedir ajuda.

 

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