Necessidade humana de reconhecimento profissional


Uma das coisas que costumo tratar aqui no blog é a questão do nosso trabalho diário e do quanto isso afeta a nossa alegria de viver.

Reconhecimento profissional não é detalhe na vida da gente. Tirando os pervertidos em trabalho, não trabalhamos apenas por dinheiro. Seria difícil manter a sanidade na relação trabalho/dinheiro se a gente não extraísse outros benefícios disso.

Quando a gente sabe que fez um bom trabalho, dadas as contingências de qualquer emprego que tenhamos, é razoável que a falta de reconhecimento profissional nos abata.

Pôxa, você se engaja na empresa, segue as diretrizes, mata noites e fins de semanas, cumpre prazos, entrega mais do que a média… E nada? Os golfinhos de aquário pelo menos recebem alguma sardinha pelos seus malabarismos.

Depois da revolta, vem a tristeza, a preguiça e o “bode’. Que passamos a levar do trabalho para a vida e da vida para o trabalho de novo. Qualquer gestor direto hoje deveria estar atento para isso. E a turma do RH especialmente. Mas o mundo do trabalho não tem muita sensibilidade para esse tipo de questão, talvez tenha empacado em degraus mais baixos da Pirâmide de Maslow.

Está acontecendo em diversos setores. Da OSCIP ao Grupo tal. Passando pela agência de comunicação mais virtuosa, ou pelas escolas infantis mais guerreiras. Há uma crise no sistema de reconhecimento profissional. Para te contratarem, do mesmo jeito que exigem inglês e Excel, exigem motivação prévia e própria. Como se a nossa motivação não tivesse nada a ver com a capacidade de reconhecimento profissional instalada na empresa.

Todo ser humano precisa de reconhecimento do outro. E tanto a filosofia quanto as religiões já chegaram nisso. A Ciência segue caminhando. Mas o que estou chamando de reconhecimento profissional é algo bem específico.

Trata-se de um tipo de reconhecimento que não costuma adiantar quando vem de pais, cônjuges, ou amigos. Tem que ser no trabalho mesmo. Da instituição, dos gestores, dos pares, ou do público final.

É uma espécie de recompensa, mesmo quando sutil, que ajuda a conferir sentido ao nosso empenho profissional. Não é exatamente o feedback positivo, ainda que ele possa ajudar. Está mais para o sincero muito obrigado, para o olhar de aprovação pelos resultados, para o pedido honesto de opinião técnica, para a solidariedade na defesa de um ponto de vista. Seria tipo um like, só que para as coisas reais que a gente faz na firma.

Carência, insegurança, falta de maturidade profissional? Sim, pode ser um pouco de tudo isso, mas é também a nossa justa necessidade de conhecer a própria relevância na comunidade de trabalho que integramos.

Não seria o caso aqui de evocar os teóricos da alienação do trabalho. Mas dadas a fragmentação das tarefas, a competitividade instaurada e a voracidade do mercado, está cada dia mais difícil perceber a importância social do nosso esforço diário. Sem um mínimo de reconhecimento profissional, então, a tal dignidade do trabalho torna-se apenas dinheiro.

A falta de reconhecimento no trabalho drena a vitalidade da nossa relação com ele. Assim como a falta de respeito corrói as nossas relações amorosas. Nos dois casos estamos falando de coisas essenciais da vida. Assim como sofremos de amor, sofremos de trabalho.

Talvez não seja possível exigir o justo reconhecimento nesse lugar que trabalhamos. Talvez sequer estejamos tão à altura desse reconhecimento que desejamos. E talvez nem precisemos tanto assim dele. Mas seja como for é bom que nos interroguemos sobre a nossa real demanda a esse respeito.

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