A tal da Sedução

Marlyn

Tem aquelas caricatas de príncipes e princesas, ou de mocinhas e vilões, mas tem outros bilhões de formas de sedução. E cada um de nós sabe pelo menos uma, nem que seja um biquinho, ou uma piscadela por desejos menores.

Esse negócio de sedução é um grande problema que a gente enfrenta na vida. Às vezes nos sobra para o não desejamos, às vezes nos falta para o que mais estamos querendo. É problema porque além de culpas e sensações de impotência, na sedução, a gente tende a não saber quem é que provocou o quê primeiro. Ficamos em uma espécie de quero e não quero ser seduzido e seduzir.

Depois tem a questão de que a sedução remete diretamente ao corpo da gente. E isso mexe com tudo em nós. Daí vem ainda as questões morais, as motivações cotidianas e as nossas incapacidades de sedução. Sem falar de como estamos transmitindo a questão da sedução para as novas gerações! Por isso é um grande problema.

É uma situação que a gente não consegue explicar direito nem para a gente mesmo, quanto mais para alguém outro quando pede satisfação.

Dizem, desde a Gênesis, que a sedução é coisa de serpente e de diabo. Eu prefiro a versão romântica de Goethe. Mas acho que a história do pecado colou mais, por isso a gente ainda sente tanta culpa com o tema. Eu diria que a sedução é uma situação de risco e desejo em que a gente se envolve e que a gente banca pela via da sensualidade que sabemos em nós. É mais sutil do que a chantagem e bem mais sutil do que o comércio. Mas também fala de trocas e preços. E isso sim é dos diabos. O pessoal legal de marketing sabe bem é que é isso.

Seduzimos e somos seduzidos todo dia. Pelo sorriso, pelo sapato, pela voz, pelo gesto. Em função das guerra ou das pazes que a agente está querendo na hora. Acontece e a gente reconhece quando acontece. E isso não quer dizer que a gente quer dormir com a pessoa. Pode ser apenas porque a gente se sentiu tocado em alguma parte de nós. Porque todos temos muitas partes. E algumas ativam a nossa capacidade natural de sedução, que acaba escapando pelo nosso corpo.

Tem as tentativas de sedução puramente intelectual que nós sentimos também. Mas elas nunca conseguem tanto, se não atingirem também os nossos corpos em jogo. Outra hora, voltarei a falar especificamente sobre essa modalidade.

Não sei se moralizar ou legislar sobre a sedução resolverá as questões profundas que ela evoca em nós. Tendo a pensar que não. Porque é o tipo de coisa que todo mundo vive e que a gente sempre vai acabar burlando quase involuntariamente. Afinal, as seduções reciprocas acontecem desde que a gente acorda, até a hora que a gente vai dormir mais, ou menos excitados para transar. Como criminalizar uma coisa que é tão natural e tão característica da espécie?

Muitas coisas importantes na história da humanidade estiveram por um fio, histórias em que a capacidade de sedução dos agentes fez toda a diferença. Seja a Guerra de Tróia, os Jardins da Babilônia, ou as eleições de 2018 no Brasil. E acontece com a gente, do mesmo jeito, a cada dia. Podemos conseguir a melhor cadeira, o beijo esperado e uma melhor proposta para renegociar as dívidas. Pode ser diante de qualquer possibilidade que a gente queira na vida. Com a sensualidade, podemos até reverter oponentes políticos e amores confusos. Trata-se sem dúvida de um poder que cada pessoa tem.

Por isso não acho que seja caso de orgulho ou pudor, mas sim de examinar melhor em si. Dimensionar a potência, avaliar a aplicação, os métodos e, especialmente, as consequências dessa tal de sedução.

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